Há exatos 61 anos o Brasil entrava em uma ditadura militar que demoraria 21 anos. O ‘Golpe de 31 de Março de 64’ que derrubou o presidente João Goulart, também derrubou em Sergipe o governador Seixas Dória. Meio século depois, a lembrança daqueles tempos difíceis continua viva na memória de quem foi preso e torturado por defender seus ideais.
A família de João de Seixas Dória Neto conviveu de perto com a ditadura militar. Ele é noto do ex- governador de Sergipe, que chegou a ser retirado do poder, preso e teve direitos políticos cassados por dez anos, ficaram as lembranças de um tempo difícil, mas também de muita força e coragem.
Já na memória de Wellington Mangueira, até o Golpe Militar de 1964, está um Brasil que ainda nutria sonhos. “Foi um momento muito difícil para o meu avô, ele defendeu os seus ideais mas sofreu muito e perdeu o cargo de governador. Muita gente sumiu nesta época e até hoje ninguém sabe informações”, disse o neto de Seixas Dória.
O tempo amargo tomado pelo idealismo de um país melhor rendeu ao hoje secretário adjunto da Cultura de Sergipe e, naquela época, líder do movimento estudantil, incontáveis prisões e momentos de repressão e de muita tortura.
“Usaram todos os métodos violentos. O que ocorreu no Brasil foi muito pesado com muito requinte de crueldade. Me ameaçaram jogar de um avião, me colocaram no ‘pau de arara’ , me deixaram sem roupa dentro de um frigorífico e tudo o que se pode imaginar foi feito”, recorda Wellington Mangueira.
Mas apesar do tempo difícil, Wellington conta porque nunca desistiu de defender aquilo que acreditava. “Valeu a pena lutar por dias melhores, por dignidade, justiça, luta para que ninguém passe fome e novos tempos” orgulha-se.
(ESPECIAL "50 ANOS DO GOLPE MILITAR": a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma série de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de março de 1964. O sucessor, João Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partidários negam até hoje. O ambiente político se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na "lei ou na marra", com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985. Saiba mais).